Na onda do mar
Se põe a girar
Numa tempestade de torpedo gentil
Reinam ventos, vendavais,
Sopro de Deuses divinais
Reino de sonhos aos mil!
Quem ousa se afogar
Num mar sem passado, nem futuro,
De ondas vaporizantes,
De um sonho obscuro!
Vem o vulto da imensidão,
Marca a sua presença,
Num presente ainda breve, de então,
Marca também a sua ausência!
Quem ousa sentir ou saber,
Quem por mais de mim não quer,
Que o verbo conhecer,
Ja não conjuga em nome de mulher!
Que na barca, barco se deixou levar,
Que no Barco, Barquinho, se deixo naufragar,
De longe, o meu menino,
Barco, que embarcou, se deixou enfeitiçar!
Peso de guerra, arma albaroada,
Preta pistola de ontem levada,
Já não sou tua, nem de ninguém,
Sopra o vento da calada, a morte é tua sabê-lo bem!
Morte em espirito, nunca em palavra
Morte da alma, não de ninguém
Reinam nos reinos onde lá estava
Mudança inesperada para o lado do bem!
Se há os ventos, os de queixume,
Reina a parca madrugrada,
Que teu nome sei-o eu bem,
Deixei ao lume, naquela brasa, tarde queimada, sem um vintem!
Sem centimos, sem euros, enfim,
O meu amor não custa nada,
Reina no teu reino de uma assentada,
O amor da clausura de uma escrava subordinada.
Meus pensamentos não são mais teus,
Meu coração de quem o roubou,
E, jamais deixarei Meu Deus,
Num passado que já passou!
E, Hoje, sei-o Bem!
Que de amor pensava à toa!
Por que a vida é na proa,
Num barco que quem comanda sou eu!
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
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