sexta-feira, 5 de setembro de 2008

METAMORFOSE

O Outono chegou em mim, apetece-me ficar sozinha no silêncio a ouvir as folhas cairem dentro de mim, o Outono a época da transformação, em que as folhas de outrora caem petala a petala como pedaços de dor que se desfazem na terra.

As amarguras de um passado causado por um fascínio tenebroso pelas luzes do glamour deixa as suas marcas na memória, essas remanescências que são como raizes que me prendem à terra, à terra onde nasci, que me fazem aqui ficar de asas quebradas, a aguardar que o processo de transformação se encarregue da metamorfose.

Apetece-me ficar sozinha no silêncio das palavras e encontrar-me a mim mesma no meio de todas as personagens que sou, pergunto porquê? porque a mim, que não escolhi nada disto?... eu sei que as nuvens são só nuvens, mera condesação de àgua, sei que vai chover, que não passa disso, que o meu corpo é feito de àgua e que a àgua tudo limpa, gostava que tudo isso fosse suficiente para mim, de encarar a vida com os olhos da realidade, mas o mundo da fantasia está sempre tão perto, mas as nuvens não são espíritos, elas estão apenas de passagem.

Sou uma alma sozinha sem metade, sem ninguém, uma alma cheia de luz e brilho que os outros ousam roubar, alma pura, cristalina, e sempre a alma, o mesmo pensar do coração que me atirou para aqui sem presente, nem futuro.

A felicidade há-de chegar a seu tempo, ainda não perdi a fé, tudo isto é como as nuvens sobre a minha cabeça, estão só aqui de passagem.

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